Quem já usou capacete articulado por algum tempo dificilmente volta para o fechado no uso urbano.
O motivo não é conforto de pilotagem, é a quantidade de vezes que você precisa mostrar o rosto ou respirar melhor sem descer da moto. Posto de gasolina, praça de pedágio, portaria de condomínio, conversa rápida com o colega no farol, trânsito parado num dia de 34 graus. Com o capacete fechado, você tira o capacete, prende no espelho e coloca de novo. Com o articulado, você levanta a queixeira e resolve.
O Strobe II é a segunda geração do capacete escamoteável de entrada da LS2. Casco em KPA, 1.790g, dupla homologação ECE 22.06 para uso aberto e fechado, certificação Inmetro, viseira solar interna e preparação para o intercomunicador LS2 com tecnologia Cardo.
Esse é o ponto que separa um capacete articulado bom de um capacete qualquer.
A norma ECE 22.06 avalia o capacete articulado em duas condições. Quando ele passa nas duas, recebe a marcação P/J: P de proteção com a queixeira fechada, e J de homologação também com a queixeira aberta.
Na prática, isso significa que o LS2 Strobe II foi testado e aprovado para rodar nas duas posições. Muito articulado no mercado tem homologação apenas para o modo fechado, e nesse caso levantar a queixeira em movimento coloca o piloto fora da condição em que o capacete foi certificado.
A ECE 22.06 é a versão mais recente da norma europeia. Comparada à 22.05 anterior, ela testa mais pontos de impacto no casco, avalia impacto rotacional e submete a viseira e o sistema de fechamento a critérios mais duros.
O KPA é o polímero de engenharia desenvolvido pela LS2 para diversas linhas de capacetes.
Um capacete articulado tem um desafio estrutural que o fechado não tem: a queixeira é uma peça móvel, e o casco precisa manter rigidez mesmo com o recorte do mecanismo. É por isso que a construção do casco importa ainda mais nesse tipo de capacete.
Por baixo do casco trabalha o EPS canaletado de múltipla densidade. Vale destrinchar os dois conceitos, porque eles fazem coisas diferentes.
Múltipla densidade significa que o EPS não é um bloco uniforme. Regiões diferentes da cabeça recebem espumas com densidades diferentes, calibradas conforme o tipo de impacto esperado em cada área. Espuma mais macia absorve impactos leves deformando cedo, espuma mais dura absorve impactos fortes sem colapsar de uma vez.
Canaletado significa que o EPS tem canais moldados por dentro. Eles conduzem o ar que entra pelas tomadas frontais até as saídas traseiras. Sem esses canais, o ar entra e para na primeira barreira de espuma.
A retenção fica por conta do fecho micrométrico com alça de queixo reforçada. O micrométrico funciona por catraca: você regula a tensão uma vez e depois só encaixa e solta a lingueta, o que conta bastante em uso urbano com muitas paradas ao longo do dia.
O sistema tem entrada de ar na queixeira, entradas superiores e portas de exaustão atrás.
O caminho do ar é o que define se ventilação funciona. Entra pela frente, corre pelos canais moldados no EPS e sai por trás por diferença de pressão. É esse fluxo contínuo que tira o calor acumulado em vez de apenas empurrar ar contra a testa.
A entrada da queixeira também alimenta a face interna da viseira, o que ajuda contra embaçamento em dia frio ou de chuva.
O capacete traz ainda a narigueira, o defletor que fica na altura do nariz. Ela desvia o ar da sua respiração para baixo em vez de deixar subir direto na viseira. É uma peça pequena que resolve boa parte do embaçamento no farol parado.
A viseira principal tem campo de visão ampliado, tratamento contra riscos e proteção UV.
Ela é preparada para Pinlock 70 MaxVision, a lente que se fixa por dentro da viseira e cria uma câmara de ar entre duas camadas, mantendo a face interna acima do ponto de condensação. É o que resolve amanhecer frio, neblina de serra e chuva. A lente é vendida separadamente e vale considerar junto com o capacete se você roda cedo, em serra ou debaixo de chuva com frequência.
O FF908 Strobe II trabalha com sistema de viseira dupla: além da viseira principal, existe uma segunda viseira escura alojada dentro do casco, acionada por comando lateral.
O ganho é operacional. Você sai de casa nublado, o sol abre no meio do caminho e resolve com uma mão, sem parar na beira da estrada para trocar de viseira nem enfiar óculos escuros por baixo do capacete.
Onde a diferença mais aparece é na variação de luz ao longo do trajeto: entrada e saída de túnel, serra com sombra e sol alternando, e o fim de tarde com o sol batendo na altura dos olhos. Pilotar apertando os olhos por horas cansa e é um cansaço que só se percebe depois de instalado.
Vale a ressalva: o solar filtra luz. À noite e em chuva forte ele fica recolhido, porque nesses momentos você precisa de toda a luminosidade disponível.
O sistema de troca rápida permite remover e recolocar a viseira principal sem ferramenta. Vale para quem alterna entre transparente e fumê, e para quem lava o capacete com frequência.
A forração é removível, lavável, hipoalergênica e com tratamento antibacteriano.
Capacete de uso diário satura de suor em poucos meses. Quando isso acontece, a espuma endurece, começa a marcar a testa e passa a segurar odor. A forração que sai por completo para lavagem é o que mantém o conforto original ao longo dos anos, não só na primeira temporada.
A espuma cortada a laser é um detalhe de processo com efeito percebido. O corte a laser produz bordas limpas e uniformes, sem a rebarba que o corte convencional deixa. Menos rebarba significa menos ponto de pressão apoiado na testa e nas maçãs do rosto, que é onde o desconforto aparece depois de duas horas.
O forro superior tem tira elástica para manter o posicionamento após a lavagem.
Os alojamentos internos para alto-falante e o espaço para o módulo já vêm previstos no casco.
Isso evita o cenário conhecido de quem instala intercomunicador em capacete não preparado: alto-falante comprimindo a orelha, cabo passando por onde não deveria e ponto de pressão que aparece na segunda hora de uso.
O módulo é vendido separadamente.
Vale tratar isso de forma direta, porque é a primeira dúvida em capacete articulado.
1.790 g ± 50 g está dentro da faixa normal para articulado. O mecanismo da queixeira, a dobradiça, o sistema de travamento e a segunda viseira somam massa que um capacete fechado simples não carrega. É o custo do recurso.
Onde isso isso pode incomodar: em viagem longa acima de cinco ou seis horas em cima da moto, o pescoço trabalha mais. Onde não aparece: deslocamento urbano, trajeto casa e trabalho e viagem curta, que é exatamente o uso para o qual o Strobe II foi construído.
Faz sentido para:
Não é a melhor escolha para:
Posso rodar com a queixeira levantada?
O Strobe II tem dupla homologação ECE 22.06, ou seja, foi certificado para uso aberto e fechado. Ainda assim, a posição fechada é a que oferece proteção completa do rosto e da mandíbula. O uso aberto faz sentido em manobra, trânsito parado e velocidade baixa.
A Pinlock acompanha o capacete?
Não. O capacete já vem preparado para receber a Pinlock 70 MaxVision, com os pinos de fixação na viseira, mas a lente é vendida separadamente.
O Strobe II tem viseira solar interna?
Tem. O sistema de viseira dupla aloja uma segunda viseira escura dentro do casco, acionada por comando lateral. Ela sobe e desce com uma mão, sem parar a moto e sem trocar a viseira principal.
Qual a diferença da ECE 22.06 para a ECE 22.05?
A 22.06 é a versão mais recente da norma europeia. Ela testa mais pontos de impacto no casco, inclui avaliação de impacto rotacional e aplica critérios mais rígidos à viseira e ao sistema de retenção.
Dá para instalar qualquer intercomunicador?
O capacete tem pré-disposição para o intercomunicador LS2 com tecnologia Cardo, com alojamentos já previstos. Outros modelos podem funcionar, mas o encaixe limpo é garantido com o sistema para o qual o capacete foi preparado.
Articulado protege menos que capacete fechado?
Um articulado com dupla homologação passa nos ensaios da norma nas duas posições. O que muda é a construção: o fechado tem casco contínuo, enquanto o articulado tem uma peça móvel e um mecanismo. Para uso urbano e viagem, o articulado homologado entrega proteção certificada com a praticidade da queixeira que levanta.
Como escolher o tamanho?
Meça a circunferência da cabeça com fita métrica, cerca de um dedo acima das sobrancelhas, e compare com a tabela de medidas da LS2 disponível na página do produto.
O Strobe II resolve bem o uso urbano e a viagem curta, que é onde ele foi posicionado.
Dupla homologação ECE 22.06 para uso aberto e fechado, certificação Inmetro, casco em KPA, EPS canaletado de múltipla densidade, viseira dupla com solar interna e preparação para Pinlock 70 e para o intercomunicador LS2 com tecnologia Cardo. O peso de 1.790 g é o normal da categoria e cobra pouco no tipo de uso a que o capacete se destina.
É o pacote que a LS2 costuma entregar bem: recurso de capacete caro em um capacete que cabe no orçamento de quem roda todo dia.
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