Hunter cai e Jett vence o overall da 6ª etapa do AMA Motocross 2026
A sexta etapa do AMA Pro Motocross, em Southwick entregou tudo que uma pista de areia promete: irmãos Lawrence se batendo de novo, um belga voando na categoria 250cc e a liderança do campeonato decidida por um único ponto. Jett Lawrence venceu na 450cc com um 2-1 e retomou a ponta. Sacha Coenen fez 1-1 na 250 em apenas sua segunda corrida no campeonato americano. E Cole Davies saiu de Massachusetts com a red plate da 250 pela primeira vez na carreira do motocross.
Um ponto. É isso que separa os irmãos Lawrence
Quem já disputou uma bateria contra um amigo entende bem: não existe rivalidade mais intensa do que aquela dentro de casa. Agora imagina isso em nível de campeonato do AMA MX, com dois irmãos dividindo o mesmo box da Honda HRC Progressive.
Depois de seis etapas do AMA Pro Motocross 2026, Jett Lawrence lidera o campeonato da 450 com exatamente 1 ponto de vantagem sobre Hunter Lawrence. Um ponto. Em um campeonato de 11 etapas, isso significa que cada largada, cada holeshot e cada erro vale ouro daqui pra frente.
E o Southwick National, disputado no sábado 11 de julho na lendária pista de areia The Wick 338, em Massachusetts, mostrou exatamente por que essa briga está tão apertada.
Moto 1: Hunter aproveita o erro do irmão
A primeira bateria da 450 começou com os dois Lawrence lado a lado na largada. Jett levou o holeshot e Hunter se acomodou em segundo, com Haiden Deegan colado em terceiro na Yamaha da Star Racing.
Jett segurou a pressão do irmão por quase toda a bateria. Só que a areia de Southwick não perdoa. Faltando menos de cinco minutos, ele errou a saída de um salto pequeno, caiu e entregou a liderança de bandeja. Hunter abriu mais de cinco segundos e venceu quando a bateria foi encerrada com bandeira vermelha na última volta, por causa de um piloto caído na pista.
Foi a quarta vitória de Hunter nas últimas cinco baterias. O australiano vinha embalado depois de vencer o overall em RedBud e assumir o red plate.
Moto 2: o azar troca de lado
Na segunda bateria o roteiro se inverteu. Hunter largou na frente, controlou o ritmo e parecia encaminhar mais um overall. Jett foi pra cima, encostou, perdeu contato, mas encostou de novo. Uma briga de foice entre dois caras que treinam juntos a semana inteira.
Aí, faltando menos de cinco minutos, Hunter engatou um ponto morto na entrada de uma curva e virou por cima do guidão. O tombo tirou o ar dele por uma volta inteira e nesse intervalo passaram Jett, Deegan e Jorge Prado.
Jett cruzou a linha com 3.8 segundos de vantagem sobre Deegan e anotou a 50ª vitória de bateria da carreira. O 2-1 deu a ele o terceiro overall da temporada e a 27ª vitória geral na elite do motocross americano, número que o empata com o lendário Bob Hannah na lista de todos os tempos.
O pódio da 450 em Southwick ficou assim: Jett Lawrence, Hunter Lawrence com um 1-4 e Haiden Deegan fechando em terceiro, com sua melhor bateria do ano.
Lucas Coenen assusta e fica de fora
Um capítulo à parte: Lucas Coenen, que é líder do Mundial de Motocross na 450cc, largou como o mais rápido do qualifying, mas já escorregou na primeira curva e para ajudar depois sofreu um tombo feio enquanto brigava pelo quarto lugar. O belga da KTM levantou andando, mas a equipe optou por não alinhar na segunda bateria por precaução. Decisão certa. Areia funda castiga o corpo e arriscar uma lesão maior no meio do campeonato não vale a pena.
Sacha Coenen: a atração da 250 veio de fora
Se na 450 a história foi de rivalidade familiar, na 250 o show teve nome e sobrenome belga. Sacha Coenen, irmão de Lucas Coenen e líder do Mundial de Motocross na MX2, alinhou em Southwick em apenas sua segunda participação no AMA Pro Motocross. E fez 1-1.
Na primeira bateria, ele simplesmente sumiu. Abriu mais de 30 segundos de vantagem sobre o segundo colocado. Quem acompanha motocross há tempos sabe como é raro ver isso em uma categoria tão equilibrada quanto a 250 do AMA MX.
Na segunda bateria veio a parte que separa os muito bons dos especiais. Coenen liderava com folga de mais de 14 segundos quando exagerou em um salto e caiu forte. Levantou ainda na liderança, só que sem os óculos, com a clavícula quebrada e segurou a vitória pilotando de cara limpa na areia de Southwick até a bandeirada.
Quem já pegou um jato de areia na cara a 60 por hora sabe o tamanho dessa façanha. Areia funda a essa velocidade machuca de verdade, e é exatamente por isso que óculos com tear-off ou roll-off são item de sobrevivência em pista de areia, não acessório.
O preço da bravura: Coenen machucou o ombro na queda e nem subiu ao pódio para discursar. O mecânico segurou o troféu no lugar dele. Segundo a equipe KTM, ele passará por avaliação médica antes de retornar à Europa para a sequência do Mundial.
Cole Davies herda o red plate da 250
Enquanto Coenen brilhava, o campeonato da 250 virou de cabeça pra baixo. Jo Shimoda, que chegou a Southwick como líder, fraturou a clavícula e sofreu uma concussão leve em uma queda no qualifying. Ficou fora da etapa e despencou de primeiro para terceiro na tabela.
Cole Davies, neozelandês da Yamaha Star Racing, caiu na primeira bateria, remontou em décimo, brigou de volta até o sétimo lugar e fechou o dia com um segundo na bateria final. O 7-2 rendeu o terceiro degrau do pódio e o mais importante, a liderança do campeonato pela primeira vez na carreira.
Davies agora tem 2 pontos de vantagem sobre Levi Kitchen, que foi o segundo no overall do dia, e 33 sobre Shimoda. Ele será o quarto piloto diferente a carregar a placa vermelha da 250 nesta temporada. Isso diz muito sobre o nível de equilíbrio da categoria em 2026.
O que Southwick ensina pra quem anda na areia por aqui
Dá pra tirar lição de tudo isso pro nosso mundo real de trilha e pista no Brasil, principalmente pra quem roda em areião no litoral ou em pista fofa depois de dias de sol.
Equipamento de proteção não é exagero
A etapa deixou dois recados claros. A clavícula de Shimoda quebrou no qualifying, em uma queda de treino, não de corrida. E Hunter perdeu o overall em um capote que o deixou sem ar. Colete de proteção e um capacete bom fazem diferença exatamente nesses momentos que ninguém planeja.
Óculos e tear-off valem cada centavo na areia
A imagem de Coenen terminando a bateria sem óculos, com areia batendo no rosto, resume o assunto. Em pista de areia, o jato de areia que vem no rosto vira jato de esmeril. Óculos de motocross de qualidade com sistema de tear-off ou roll-off, mais uma lente reserva na mala, deveriam ser regra pra qualquer piloto que encara areião.
Falta de preparo físico cobra o seu preço
Southwick é conhecida como a pista que mais castiga fisicamente no calendário americano. Buraco atrás de buraco, moto dançando o tempo todo, braço estourando na metade da bateria. Se você sofre com isso na trilha, o caminho é o mesmo dos profissionais: preparo físico, manopla e luva bem escolhidas e suspensão regulada pro seu peso e pro piso.
Próxima etapa
O AMA Pro Motocross 2026 segue agora para a sétima de onze etapas, com a briga da 450 resumida em um único ponto entre os irmãos Lawrence e uma 250 completamente embolada. Se a primeira metade da temporada serviu de amostra, a segunda promete.
Perguntas frequentes
Quem venceu o Southwick National 2026?
Na 450, Jett Lawrence venceu o overall com um 2-1, seu terceiro triunfo na temporada. Na 250, o belga Sacha Coenen fez 1-1 e conquistou sua primeira vitória geral no AMA Pro Motocross.
Como está a classificação do AMA Pro Motocross 2026 na 450?
Após seis etapas, Jett Lawrence lidera com 1 ponto de vantagem sobre o irmão Hunter Lawrence. É a segunda vez na temporada que Jett assume a ponta.
Quem lidera a categoria 250 do AMA Pro Motocross 2026?
Cole Davies assumiu a liderança pela primeira vez na carreira após Southwick, com 2 pontos sobre Levi Kitchen e 33 sobre Jo Shimoda, que se lesionou na etapa.
O que aconteceu com Jo Shimoda em Southwick?
Shimoda fraturou a clavícula e sofreu uma concussão leve em uma queda durante o qualifying. Ficou fora da corrida e caiu de primeiro para terceiro no campeonato.
Quem é Sacha Coenen?
Sacha Coenen é piloto belga da KTM de fábrica e atual líder da categoria MX2 no Mundial de Motocross. Southwick foi apenas sua segunda corrida no AMA Pro Motocross, vencida com 1-1 mesmo após uma queda forte na segunda bateria.
Por que a pista de Southwick é considerada tão difícil?
The Wick 338 é uma pista de areia funda que forma buracos e valas ao longo do dia. O piso instável exige muito preparo físico, leitura de pista e equipamento adequado, principalmente óculos com tear-off e proteções.
Quantas vitórias Jett Lawrence tem na carreira?
Com Southwick, Jett chegou a 27 vitórias gerais na classe principal do AMA Pro Motocross, empatando com Bob Hannah na lista de maiores vencedores. Na mesma corrida anotou sua 50ª vitória de bateria.