Como funciona o novo sistema de pontos de infração “estilo Fórmula 1” no AMA Supercross 2026

Se você acompanha o AMA Supercross, já deve ter ouvido falar no “novo sistema de pontos estilo F1” para 2026. A novidade, porém, não está na pontuação de campeonato (25–22–20…), que continua igual. A mudança e que pode mudar o rumo de títulos é o License Penalty Point System, copiado direto do regulamento disciplinar da Fórmula 1.

Vamos descomplicar como isso funciona, por que foi criado e o que muda na prática para pilotos e equipes.

O que é o License Penalty Point System

Trata-se de um sistema de pontos de infração na licença do piloto, independente dos pontos que valem para o campeonato. Cada vez que um piloto comete uma infração, seja por pilotagem agressiva, ignorar bandeiras ou até falhar em testes técnicos, ele recebe pontos na licença que ficam no histórico por 12 meses.

O objetivo é ter punições progressivas e automáticas baseadas no histórico de comportamento, não apenas na infração isolada. É a mesma lógica que a FIA usa na superlicença da Fórmula 1, onde pilotos acumulam pontos por infrações e ao atingir 12 pontos em 12 meses, levam suspensão automática de uma etapa.

No AMA SX/MX/SMX, o sistema entra em vigor em 2026 e vale para todos os três campeonatos: AMA Supercross, AMA Pro Motocross e SuperMotocross Playoffs.

Como funciona na prática


1. A infração acontece

Durante um evento (treino classificatório, heat, main, bateria de motocross), o comissário ou a AMA identifica uma infração. Exemplos:

  • ​Pilotagem agressiva ou perigosa (ex.: cruzar a pista sob bandeiras amarelas, bloqueio perigoso, contato desnecessário): 3 pontos na licença.
  • Falha em testes técnicos (ex.: ruído acima do limite, irregularidade de moto): 1 ponto na licença.

Esses valores são adicionais às punições normais da prova (perda de posições, pontos daquela corrida, desclassificação, etc).


2. Os pontos se acumulam por 12 meses

Os pontos na licença não zeram no fim da temporada. Eles permanecem no histórico do piloto por 365 dias a partir da data da infração. Um piloto pode receber pontos no SX de Anaheim 1 e se estourar o limite no MX na etapa de RedBud (6 meses depois), sofre as consequências no mesmo ano.

Isso cria um histórico disciplinar contínuo que atravessa as séries.


3. Gatilhos automáticos de punição

Quando o somatório de pontos na licença atinge certos patamares, o piloto sofre consequências automáticas, além da punição daquela corrida:

Pontos na licença                                Consequência

5 pontos                    Advertência escrita da AMA (formal, entra no histórico).

10 pontos                Última escolha de gate na próxima etapa (SX) ou largada de trás (MX).

15 pontos                  Perda de 10 pontos de campeonato + multa em dinheiro. Após essa punição, o saldo de pontos na licença volta para 5 (mantendo a advertência).

Importante: essas punições são cumulativas e progressivas. Um piloto que chegar a 15 pontos não sofre só a perda de 10 pontos; ele já terá recebido advertência (aos 5) e o último gate (aos 10). Ao aplicar a punição de 15 pontos, o sistema reseta parcialmente para 5, evitando um loop infinito de suspensões seguidas.


Comparação direta: F1 vs AMA Supercross

Diferença crucial: Na F1, atingir o limite resulta em suspensão automática de uma prova. No AMA, o limite de 15 pontos resulta em perda de pontos de campeonato e multa, mas não há suspensão automática de participação. A ideia é punir o campeonato, não barrar o piloto de correr.

Impactos práticos para pilotos e equipes


1. Pilotos agressivos serão penalizados no título
Um piloto que costuma causar incidentes (ex.: block pass perigosos, não respeitar bandeiras) pode acumular pontos rapidamente. Se ele chegar a 15 pontos perto do final do SX, perderá 10 pontos do campeonato automaticamente, o que pode ser a diferença entre título e vice-campeonato.

2. Escolha do gate torna-se uma punição
A consequência dos 10 pontos (último a escolher o gate) é muito prejudicial no SX. Largar em um gate ruim em uma pista curta e rápida como Anaheim ou Detroit praticamente elimina chances de vitória. É uma punição mais forte que perder posições na largada, pois o piloto não escolhe a linha e fica no pior traçado.

3. Erros técnicos também entram
Não é só pilotagem. Falhar em teste de ruído (ex.: escapamento acima de 115 dB) rende 1 ponto na licença. Equipes terão de ser ainda mais rigorosas na preparação das motocicletas, pois pontos na licença acumulam e podem custar posições do campeonato meses depois.

4. Pontos atravessam campeonatos
Um piloto pode receber pontos no SX, ser punido no MX (ou SMX) e perder pontos do campeonato na modalidade errada. Por exemplo:
  • Piloto “X” tem 8 pontos na licença vindos do SX.
  • No MX, comete infração grave (+3 pts) e vai a 11 pontos.
  • Na próxima etapa de MX, comete outra infração (+3 pts) e atinge 14 pontos.
  • Na etapa seguinte, comete infração leve (+1 pt) e chega a 15.
  • Punição: perde 10 pontos do campeonato no MX, onde está brigando pelo título.
Isso força o piloto a se comportar bem em todas as modalidades, não apenas na que ele mais valoriza.

Por que a AMA adotou isso

O motivo oficial é padronizar o controle disciplinar entre as modalidades e criar punições progressivas e transparentes. Na prática:

Transparência: os fãs e equipes sabem exatamente quantos pontos cada infração vale e quando o piloto será punido.

Consistência: evita punições “subjetivas” ou diferentes para cada piloto.

Comportamento: força pilotos a serem mais conscientes, pois infrações têm impacto de longo prazo no campeonato.

Alinhamento global: segue a tendência de outros esportes motorizados (F1, MotoGP, WEC) que usam sistemas similares.

O que isso muda para você, fã ou profissional

Acompanhe o “saldo de pontos na licença”: sites e transmissões provavelmente mostrarão, ao lado da pontuação de campeonato, quantos pontos de infração cada piloto acumulou.

Equipes terão de gerenciar risco: preparação técnica (evitar pontos por ruído) e coaching de pilotagem (evitar pontos por agressividade).

Pilotos mais experientes terão vantagem: veteranos que já cometeram erros e aprenderam terão saldo limpo, novatos agressivos podem ser punidos antes mesmo de brigar por título.

SMX pode ser decisivo: pilotos que chegam aos playoffs do SuperMotocross com pontos na licença próximos dos limites correm risco de perder pontos valiosos exatamente quando cada ponto vale ouro.

Mais uma regra que pode colocar emoção na disputa


Em resumo, o novo sistema de pontos de penalidade na licença traz uma camada extra de responsabilidade para pilotos e equipes, porque transforma cada infração em um risco para o campeonato ao longo de 12 meses. Ao atrelar comportamento em pista a consequências progressivas, de advertências formais à perda de pontos de campeonato, a AMA busca reduzir incidentes perigosos e padronizar as punições de forma mais clara e previsível para todos os envolvidos.