Impermeabilidade em jaquetas de moto: o que os números realmente significam
Você já parou na beira da estrada com a jaqueta de moto encharcada sem entender por quê, se ela era impermeável? Ou chegou no destino suado como se tivesse feito uma trilha a pé, mesmo sem pedalar um metro?
O problema quase sempre está nos números que ninguém explica na hora da venda. Impermeabilidade e respirabilidade são os dois critérios que definem se uma jaqueta vai te manter seco e confortável em qualquer condição, ou se vai te deixar na mão no meio de uma tempestade na Serra Gaúcha.
Neste artigo você vai entender o que é coluna dágua e por que 20.000mm é diferente de 35.000mm na prática, o que a respirabilidade mede e por que ela importa tanto quanto a impermeabilidade, como as principais tecnologias do mercado como Gore-Tex, Alpinestars Drystar e Leatt HydraDri se diferenciam entre si, e qual nível de proteção é o certo para o seu tipo de uso e roteiro.
Por que a maioria das jaquetas de motociclistas falham na chuva?
Quem já pilotou na chuva conhece bem o problema. Você sai com a jaqueta certa, pega uma tempestade no meio da estrada e, depois de quarenta minutos, percebe que está molhado. Às vezes a chuva entrou. Às vezes foi o próprio suor que ficou preso dentro do material.
Os dois problemas têm causas diferentes e exigem soluções diferentes. Jaquetas sem membrana impermeável deixam a chuva entrar. Jaquetas com membranas de baixa qualidade resolvem a chuva mas criam um segundo problema: bloqueiam também a saída de vapor do corpo, criando o que é conhecido como efeito sauna, você fica seco de fora e encharcado de dentro.
O equilíbrio entre impermeabilidade e respirabilidade é o critério que separa um equipamento que funciona de um que você abandona após a primeira viagem longa. E é exatamente nesse equilíbrio que as marcas sérias investem anos de desenvolvimento.
Neste artigo você vai entender o que cada número significa, como comparar tecnologias de membranas como Gore-Tex, Alpinestars Drystar e Leatt HydraDri, e como escolher o nível correto para o seu tipo de uso.
O que é impermeabilidade e como ela é medida
A impermeabilidade de um tecido é medida pelo teste de coluna dágua, expresso em milímetros (mm). O procedimento é direto: posiciona-se uma coluna de água sobre uma amostra do tecido e mede-se a altura em que a água começa a atravessar o material.
Esse valor em milímetros representa a resistência do tecido à pressão da água. Quanto maior o número, maior a pressão que o material aguenta sem ceder. Para entender o que isso significa na prática ao pilotar:
- Até 5.000mm: resistência básica. Aguenta garoa e respingos leves. Não é suficiente para chuva contínua.
- 10.000 a 15.000mm: adequado para chuva moderada em baixa velocidade. Pode ser insuficiente em pilotagem em alta velocidade, onde a pressão do vento e da chuva sobre o tecido aumenta significativamente.
- 20.000mm: desempenho sólido para pilotagem em chuva forte em velocidade de rodovia. A margem de segurança é confortável para a maioria das situações reais.
- 30.000mm: alto desempenho. Pensado para viagens de longa distância, condições adversas prolongadas e uso profissional.
- 35.000mm ou mais: impermeabilidade máxima disponível no mercado de equipamentos para moto. Sem margem de erro em qualquer condição.
Para ter uma referência concreta: uma chuva forte em alta velocidade gera uma pressão de aproximadamente 10.000 a 13.000mm sobre o tecido. Uma membrana de 20.000mm já entrega margem segura para essa situação. Uma de 35.000mm foi projetada para não ceder mesmo em condições extremas.
Costuras seladas: o detalhe que a maioria ignora
Um ponto que muitos compradores não consideram: de nada adianta uma membrana de 35.000mm se as costuras não forem seladas. Cada agulhada no tecido cria um ponto de entrada de água. Jaquetas de alto desempenho usam fitas impermeáveis aplicadas sobre as costuras internas para eliminar esse problema. Sempre verifique se o equipamento tem costuras termosseladas ou costuras criticamente seladas nas especificações.
Zíperes impermeáveis
Zíperes convencionais são outro ponto de entrada de água frequentemente negligenciado. As melhores jaquetas usam zíperes com cobertura impermeável sobreposta, ou zíperes do tipo YKK Aquaguard, que possuem revestimento interno que bloqueia a passagem de água sem comprometer a funcionalidade.
Resistente à água ou impermeável: a diferença que muda tudo
Antes de avançar para respirabilidade, é fundamental entender uma distinção que muitas marcas usam de forma vaga nas embalagens e descrições de produto.
Tratamento DWR (Durable Water Repellency)
O DWR é um tratamento químico aplicado na superfície externa do tecido que faz as gotas de água escorregarem sem ser absorvidas. Funciona bem em chuva leve e garoa. O problema é que esse tratamento perde eficiência com o tempo, lavagens e sujeira. Em chuva prolongada, o tecido satura e começa a absorver água, ficando pesado e frio.
Jaquetas com apenas tratamento DWR são classificadas como resistentes à água, não como impermeáveis. A distinção é importante na hora da compra.
Membrana impermeável
Uma membrana impermeável é uma camada adicional integrada à construção da jaqueta que bloqueia a passagem de água independentemente da duração ou intensidade da chuva. Ao contrário do tratamento DWR, a membrana não perde suas propriedades impermeáveis com o uso ou as lavagens, desde que seja mantida conforme as instruções do fabricante.
Para pilotagem real em tempo adverso, uma jaqueta com membrana impermeável é o equipamento correto. Qualquer coisa abaixo disso é uma solução parcial.
O que é respirabilidade e por que ela é tão importante quanto a impermeabilidade
A respirabilidade é medida em gramas por metro quadrado por 24 horas (g/m²/24h). O número indica quanta umidade, gerada pelo calor e pelo suor do corpo, consegue atravessar o tecido de dentro para fora ao longo de um dia.
Quanto maior o número, mais eficientemente o tecido elimina a umidade do interior da jaqueta. Isso impede o acúmulo de vapor que gera a sensação abafada e o desconforto em uso prolongado. Para referência prática:
- Até 10.000g: respirabilidade básica. Funciona em temperaturas frias onde a produção de suor é menor. Tende a ser desconfortável em climas quentes ou ritmos mais intensos.
- 10.000 a 20.000g: boa respirabilidade. Adequado para a maioria das situações de pilotagem em temperatura amena.
- 20.000g ou mais: alta respirabilidade. Essencial para pilotagem em climas quentes, viagens longas ou qualquer situação onde a produção de calor corporal é maior.
- 30.000g ou mais: respirabilidade de alto desempenho. O que as melhores membranas do mercado entregam, permitindo conforto mesmo em condições exigentes.
Uma jaqueta impermeável sem boa respirabilidade cria o chamado efeito ferver na embalagem. Você fica protegido da chuva externa, mas o vapor do suor acumula dentro da jaqueta, fica sem saída e você termina a viagem tão molhado quanto estaria sem proteção nenhuma. Em pilotagem de longa distância, em climas quentes ou em qualquer situação de esforço físico, isso é tão desconfortável quanto estar sem proteção.
Por que impermeabilidade e respirabilidade precisam caminhar juntas
O desafio técnico central de qualquer membrana impermeável é este: o mesmo material que bloqueia a entrada de água tende a bloquear também a saída de vapor. Quanto mais impermeável o tecido, mais difícil é deixar o suor escapar.
A solução está na engenharia da membrana. Os melhores materiais são desenvolvidos com microporos, que são aberturas microscópicas com dimensão calculada de forma precisa. Esses poros são grandes o suficiente para que as moléculas de vapor dágua (pequenas) passem de dentro para fora, mas pequenos demais para que as moléculas de água líquida (muito maiores) entrem de fora para dentro.
É essa diferença de escala molecular que permite ter impermeabilidade e respirabilidade ao mesmo tempo em alto nível. Uma membrana barata sacrifica um pelo outro. Uma membrana de qualidade entrega os dois.
Por isso, sempre que avaliar uma jaqueta impermeável, os dois números devem estar presentes nas especificações. Uma jaqueta que apresenta apenas o índice de impermeabilidade sem informar a respirabilidade pode estar escondendo uma limitação importante do produto.
As principais tecnologias de membrana do mercado
Existem três tecnologias de membrana que dominam o mercado de equipamentos para moto de alto desempenho. Entender como cada uma funciona ajuda a fazer uma escolha mais consciente.
Gore-Tex: o padrão de referência do mercado
O Gore-Tex é considerado o padrão de excelência em membranas impermeáveis e respiráveis. É composto por uma camada de PTFE (politetrafluoretileno, conhecido popularmente como Teflon) esticado termicamente e intercalado entre camadas de nylon. Essa estrutura repele água líquida enquanto permite que o vapor dágua atravesse o material.
A membrana é integrada sob a camada externa da jaqueta. O tecido externo retém a maior parte da água e a membrana faz o restante do trabalho. O Gore-Tex também é 100% resistente aos raios UV, o que contribui para a durabilidade do equipamento ao longo do tempo.
A versão topo de linha, o Gore-Tex PRO 3L com membrana laminada livre de PFAS, entrega mais de 28.000mm de impermeabilidade. A respirabilidade é medida pelo coeficiente RET (Resistance to Evaporative Transfer), com valor abaixo de 20 m²Pa/W, que representa alta respirabilidade. Importante entender a diferença de escala: enquanto g/m²/24h mede quanto vapor passa pelo tecido (quanto maior, melhor), o RET mede a resistência à evaporação (quanto menor, melhor). Um RET abaixo de 20 é equivalente a uma respirabilidade de 20.000g ou mais na escala convencional.
A Gore-Tex é criteriosa em relação a quais fabricantes podem usar sua tecnologia, o que garante um padrão elevado nos produtos certificados. No mercado de equipamentos para moto, marcas como Alpinestars, Dainese, Rukka e REVIT estão entre as autorizadas a utilizar a tecnologia.
Alpinestars Drystar: impermeabilidade proprietária com versatilidade
O Drystar é a tecnologia proprietária da Alpinestars para impermeabilidade. É uma membrana multicamada que bloqueia a entrada de água enquanto permite a saída do vapor do suor, garantindo 100% de impermeabilidade com boa respirabilidade.
Existem duas versões principais na linha de jaquetas Alpinestars. A membrana Drystar removível, presente em modelos como liner separado, entrega entre 6.000 e 7.000mm de impermeabilidade e 15.000g de respirabilidade. É a versão mais versátil, que pode ser retirada nos dias quentes e inserida quando a chuva aparece. Já a membrana DrystarXF, integrada de forma fixa ao corpo da jaqueta, eleva o desempenho para 15.000mm de impermeabilidade e 15.000g de respirabilidade, garantindo proteção constante em qualquer condição sem necessidade de ajuste.
O sistema Drystar é aplicado também em botas, luvas e calças da Alpinestars, com zíperes universais que conectam as peças entre si para formar um sistema impermeável completo do corpo.
Leatt HydraDri: três versões para três perfis de uso
O HydraDri é a membrana impermeável e respirável desenvolvida pela Leatt especificamente para a linha ADV de jaquetas de moto adventure. Diferente de outras marcas que utilizam uma única especificação de membrana, a Leatt desenvolveu três versões com desempenho progressivo, cada uma calibrada para um perfil de uso diferente:
- HydraDri EVO: 20.000mm de impermeabilidade e 20.000g de respirabilidade. Presente nos modelos 5.5 da linha ADV. Desempenho sólido para pilotagem real com excelente custo-benefício.
- HydraDri MAX: 30.000mm de impermeabilidade e 30.000g de respirabilidade. Presente nos modelos 7.5 FlowTour e MultiTour. Alto desempenho nos dois critérios, indicado para viagens exigentes.
- HydraDri DRI+: 35.000mm de impermeabilidade. Exclusivo da DriTour 7.5. O maior índice de impermeabilidade da linha, com membrana integrada diretamente ao shell externo por laminação.
O diferencial do HydraDri DRI+ na DriTour está no método de aplicação: em vez de uma camada interna separada que pode ser removida, a membrana é laminada diretamente ao tecido externo. Isso elimina a necessidade de colocar ou retirar um liner para ter proteção contra a chuva. A jaqueta é impermeável do jeito que está, sem nenhum ajuste necessário.
Para qual perfil de uso cada nível é adequado
Traduzindo as especificações técnicas para a realidade de quem pilota no Brasil, aqui está um guia prático por perfil de uso:
Uso urbano e deslocamentos diários
Para quem usa a moto no dia a dia na cidade e pode ser surpreendido por chuva, uma membrana de 10.000 a 15.000mm já atende a maioria das situações. A velocidade é mais baixa, a exposição à chuva tende a ser curta e o percurso termina rapidamente.
A respirabilidade é menos crítica nesse perfil, já que os percursos são mais curtos. Mesmo assim, 10.000g é o mínimo recomendado para não criar desconforto no trânsito mais lento.
Viagens de fim de semana e clima variável
Para quem viaja regularmente e pode enfrentar chuva forte em estrada em velocidade de rodovia, 20.000mm é o mínimo recomendado. Com essa especificação há margem confortável para chuva intensa sem comprometer a proteção.
A respirabilidade de 20.000g é importante nesse perfil, especialmente em viagens de verão ou em regiões mais quentes do país.
Big trail, ADV e viagens de longa distância
Para quem faz rotas longas, atravessa diferentes regiões climáticas no mesmo dia ou não quer se preocupar com a previsão do tempo, 30.000mm ou mais é o nível adequado. Com esse índice é possível pilotar horas na chuva sem que a membrana ceda.
Nesse perfil, a respirabilidade de 30.000g é igualmente importante. Viagens longas geram mais calor corporal e mais suor, e uma membrana que não respira bem transforma a segunda metade da viagem num desconforto constante.
Clima quente com chuva tropical esporádica
Nesse perfil, a respirabilidade passa a ser o critério mais importante. Uma membrana removível é a solução mais prática: você pilota sem a camada impermeável no calor e a adiciona quando a chuva aparece. A especificação de respirabilidade de 20.000g ou mais é fundamental para evitar o desconforto nos momentos em que a membrana está ativa.
Como manter a performance da sua membrana ao longo do tempo
Uma membrana impermeável de qualidade pode durar anos sem perder suas propriedades, desde que seja tratada corretamente. Alguns cuidados que fazem diferença:
Lavagem correta
Membranas impermeáveis perdem eficiência quando os microporos ficam obstruídos por sujeira, suor, repelente de insetos ou protetor solar. Lavar a jaqueta regularmente, seguindo as instruções do fabricante, é parte essencial da manutenção. Na maioria dos casos, lavagem à mão ou na máquina em programa delicado sem amaciante é o procedimento correto.
Reativação do tratamento DWR
O tratamento DWR da camada externa perde eficiência com o uso. Quando as gotas de água param de rolar sobre o tecido e começam a ser absorvidas, é sinal que o tratamento precisa ser reativado. Isso pode ser feito simplesmente passando a jaqueta numa secadora em temperatura baixa por 20 minutos, ou com produtos específicos de reimpregnação disponíveis no mercado.
Armazenamento
Guardar a jaqueta dobrada e comprimida por longos períodos pode danificar as membranas mais delicadas. O ideal é armazená-la pendurada, em local seco e arejado, sempre limpa e seca antes de guardar.
Perguntas frequentes sobre impermeabilidade em jaquetas de moto
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